quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Produtividade agrícola do Brasil cresce mais do que a mundial


O Brasil lidera a produtividade agrícola na América Latina e Caribe e apresenta índices de crescimento acima da média mundial, segundo estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2011. Os dados da OCDE mostram também que junto com o Brasil, China, África do Sul e países do Leste Europeu são os que apresentam as maiores taxas de crescimento da produtividade.

O movimento é contrário ao verificado no resto do mundo, especialmente entre os países desenvolvidos que apresentam decréscimo nas taxas de produtividade. Enquanto países como França, Inglaterra e Estados Unidos crescem abaixo da média histórica de 1,48% ao ano, verificada no período que compreende os anos de 1961 e 2007, o Brasil pressiona o crescimento produtivo agrícola na América Latina. O crescimento anual da produtividade do Brasil é de 3,6% ao ano, comparativamente aos 2,6% da América Latina, 0,86% dos países desenvolvidos e 1,98% para o conjunto de países em desenvolvimento.

Pelo menos três fatores contribuem para esses resultados, na avaliação do coordenador geral de Planejamento Estratégico do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), José Garcia Gasques. O avanço na área da pesquisa, liderada pela Embrapa, é considerado preponderante no aumento da produtividade da agricultura brasileira. Aliado a isso, o aumento das exportações também contribuiu, assim como a variação positiva dos preços internos e ampliação do crédito rural. O Ministério da Agricultura está atento a esse cenário positivo e vem trabalhando na implementação de políticas para a área.

Resultados ainda preliminares sobre as projeções mostram que, até 2022, a produção de grãos deverá aumentar 22%. A soja é a cultura que vai puxar esse crescimento, com média de 2,3% ao ano, seguida do trigo (1,9%) e do milho (1,8%). O segmento de carnes também terá desempenho positivo, com incremento na produção de 40% nos próximos 10 anos. A carne de frango deverá liderar o ranking com estimativa de crescimento de 4,2% ao ano, seguida da carne bovina e suína, com 2% ao ano, cada segmento. "Esses dados são importantes porque exigem um conjunto de ações e medidas que o governo deverá adotar para que as projeções se concretizem, especialmente no aprimoramento da política agrícola e no direcionamento dos instrumentos para a concessão de crédito", salienta.

O técnico destaca também o fato de o crescimento da produtividade agrícola ocorrer sem a ampliação, nas mesmas proporções, da área cultivada, reforçando a importância do incentivo à inovação e pesquisa que o Ministério da Agricultura vem dando à área. Um exemplo disso é o Plano de Emissão de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que incentiva a produção de várias culturas numa mesma área. Hoje, o país detém 65,3 milhões de hectares de áreas plantadas, sendo 50 milhões em grãos e o restante em hortaliças.

Fonte: http://www.clippingexpress.com.br/ce2//?a=noticia&nv=5shgz2D90XtsnIhnlivjsg

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Paraná resgata Congresso Florestal

A Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE) com o apoio dos principais cursos de Engenharia Florestal do Estado e de instituições como a Embrapa Florestas e a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) iniciaram as discussões para realizar o IV Congresso Florestal do Paraná. O evento será de 10 a 14 de setembro 2012, 21 anos após o último encontro estadual do setor. Com o tema “Gestão Florestal – Produção, Conservação e Uso”, o congresso pretende resgatar o debate e a articulação entre profissionais, acadêmicos, estudantes, setores privado e público quanto à atividade florestal do Paraná, umas das mais desenvolvidas do país.


No encontro realizado em Curitiba, no dia 11 de fevereiro de 2011, representantes da APRE, da Universidade Federal do Paraná, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, da Universidade Estadual do Centro Oeste, da Embrapa Florestas e das Associações de Classe de Engenheiros Florestais do Paraná, definiram a estrutura do evento.

O congresso pretende colocar em debate temas como infraestrutura e logística, cenários do mercado, plataforma agroenergética do Governo Federal e programas de certificação. Até março, serão anunciados os nomes dos presidentes de honra e do congresso, coordenadores técnico/científico e administrativo, secretário e tesoureiro.

Fonte: http://www.congressoflorestalpr.com.br/noticia.php?id=25&back=1

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Unidades de Conservação receberam mais de 24 mil visitantes na temporada


Uma boa opção para se divertir e aproveitar o verão ao ar livre é visitar os parques estaduais. São 28 unidades de conservação mantidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e localizadas em todas as regiões do Estado, que estão abertas à visitação pública.

Além de preservar o ecossistema local, as unidades atraem turistas de todos os lugares do mundo. Do total de parques, 11 receberam um aumento do efetivo de pessoal para dar melhor atendimento aos visitantes, além de um reforço no material de conscientização ambiental e divulgação, distribuído durante a Operação Verão.

Do início da temporada, no dia 16 de dezembro, até o último dia 2, as unidades que estão trabalhando de forma especial no verão atraíram mais de 24 mil visitantes. “Os parques que receberam esse reforço de pessoal e material são aqueles que, historicamente, apresentam um aumento considerável no número de visitantes nessa época do ano”, explica o coordenador da Operação Verão do IAP, Doraci Oliveira.

O local mais procurado durante a temporada é a Ilha do Mel, no Litoral do Estado. Pertencente ao município de Paranaguá, a ilha é tombada como Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e possui um Parque Estadual e Estação Ecológica que cobre 95% do seu território e preserva a biodiversidade local. Em menos de um mês a Ilha do Mel atraiu mais de 15 mil visitantes, uma média de 2500 pessoas por dia.

Ainda no litoral, o Caminho do Itupava é outro atrativo bastante visitado na região. O caminho é uma trilha de 22 quilômetros que fica entre os municípios de Quatro Barras e Morretes, na região da Serra do Mar. O trajeto preservado foi construído em 1625 para ligar o litoral ao interior do Estado. Além das paisagens naturais, os visitantes também podem contemplar o Santuário de Nossa Senhora do Cadeado e a Casa do Ipiranga. Nessa temporada o caminho já recebeu mais de 800 visitantes.

O Caminho do Itupava liga dois parques estaduais de grande relevância para a conservação da biodiversidade e importantes pontos turísticos da região, que são o Parque Estadual do Marumbi (Morretes) e o Parque Estadual da Serra da Baitaca (Quatro Barras). Ambos atraíram mais de 1.200 visitantes nesse período.

Outra unidade de conservação que atrai muitos turistas é o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa. Com mais de três mil hectares, o parque conserva uma das poucas áreas de cerrado do Estado, além de formações rochosas formadas há milhares de anos pelo vento, furnas (grandes crateras com vegetação) e a Lagoa Dourada, que recebeu esse nome por refletir a cor durante o por do sol. O parque atraiu nessa temporada mais de 4.500 visitantes.

INVESTIMENTOS – Em 2011 o IAP investiu mais de R$ 6 milhões em reformas de revitalização nas Unidades de Conservação de Proteção Integral. Os recursos são oriundos de medidas compensatórias de empreendimentos que causam algum impacto ambiental. Ao todo, nove unidades de conservação receberam melhorias na infraestrutura para atender os visitantes.

Foram revitalizados os parques estaduais do Monge, Marumbi, Cerrado, Rio Guarani, Vila Velha, Rio da Onça e o Caminho do Itupava. O Parque Estadual do Ibicatu também foi ampliado em 430% com a doação de áreas nos municípios de Centenário do Sul e Porecatu. Já o Parque Estadual da Serra da Baitaca recebeu um mutirão de voluntários para restaurar a trilha muito usada por montanhistas e escoteiros.

Alguns parques como o Monge e o Marumbi ainda estão em processo de revitalização, com a conclusão prevista para o segundo semestre de 2012. Outras unidades, como as pertencentes à Ilha do Mel, passarão por revisão e criação do plano de manejo. No Parque Estadual da Ilha do Mel o manejo está sendo planejado, enquanto a Estação Ecológica terá o seu plano revisado. Ambos devem ser finalizados ainda no primeiro semestre desse ano.

A previsão de investimento para 2012 é de aproximadamente R$ 5 milhões em obras de reformas nos demais parques estaduais. “Nós também precisamos investir nos parques para poder receber mais estudantes e universidades que fazem pesquisas de campo em nossas unidades. Esses estudos são fundamentais para que possamos preservar cada vez mais a biodiversidade de cada região do Estado”, explica o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do IAP, Guilherme Vasconcellos.

Segundo o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, investir na melhoria dos parques estaduais é fundamental para que eles atraiam cada vez mais visitantes. “Os parques ficaram esquecidos durante muito tempo e as visitações não foram incentivadas pelo IAP. Acredito que podemos promover um turismo ecológico nas nossas unidades de conservação, com o apoio da Secretaria de Turismo, para que o atendimento ao público melhore. Temos muitos lugares bonitos no Estado ainda pouco conhecidos”, afirmou Mossato Pinto.

Fonte: IAP

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Valor da produção agrícola deve subir


O valor bruto da produção (VBP) das 20 principais lavouras do país deverá somar R$ 216,2 bilhões em 2012, segundo projeção divulgada ontem pelo Ministério da Agricultura. O novo número é R$ 3,9 bilhões superior à previsão anterior do ministério, divulgada em dezembro. Se confirmado, o resultado será 5% superior ao de 2011 (R$ 205,9 bilhões) e representará um novo recorde.

Mesmo com as revisões para baixo efetuadas pela Conab para a produção de soja e milho, por causa da seca no Sul provocada pelo fenômeno climático La Niña, as projeções para os VBPs de ambos os grãos são de aumento, sobretudo em virtude do efeito das quebras de safras sobre os preços domésticos e internacionais.

No caso da soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro, o VBP deverá crescer 2,3% e alcançar R$ 55 bilhões, também um novo recorde; no do milho, a alta prevista é de 16,6%, para R$ 28,4 bilhões. O VBP do milho voltará a ficar abaixo do da cana. Para a cultura, o ministério estima R$ 38,1 bilhões, um aumento de 13,9% e outra marca recorde.

Mas são muitas as incertezas que ainda cercam os grãos, e por isso as projeções podem mudar. Houve chuvas recentemente em regiões que vinham sendo bastante prejudicadas pela estiagem no Rio Grande do Sul, mas para que as lavouras afetadas possam se recuperar, é preciso chover mais, e as previsões climáticas indicam o contrário.

Na Argentina, onde plantações de soja e milho também sofrem com a seca causada pelo mesmo La Niña, os serviços meteorológicos sinalizaram que haverá precipitações nos próximos dias.

Fonte: Valor Econômico.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Crise externa reduz expectativas do agronegócio

Associação nacional que representa os empresários do segmento prevê um ano menos positivo, mas não ruim.

Ribeirão Preto - O novo presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Correa Carvalho, afirmou ontem que 2012 será "um ano menos positivo para o agronegócio". Mas isso não significa, na avaliação do executivo, um ano ruim para o setor. "Apesar da crise europeia, temos indicadores macroeconômicos interessantes, como a recuperação da economia dos Estados Unidos e a alta de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) da China", disse Carvalho. "Isso traz aumento da demanda e nos dá uma visão positiva dentro de um cenário de enorme incerteza", acrescentou

O presidente da Abag criticou a falta de investimentos em tecnologia e educação no Brasil, bem como a baixa poupança do governo. São entraves, em sua opinião, para que o país aproveite melhor o cenário positivo para os países em desenvolvimento e para os grandes exportadores de commodities. "? o custo Brasil, que inclui outros problemas, como a logística e a questão tributária", disse.

Para o executivo, a recuperação na produção de GRÃOS no Brasil, esperada para 2012, será freada pela seca no Sul do país, a qual retrata a alta exposição do setor ao risco agrícola e contribui para a volatilidade das cotações das commodities. Um seguro rural robusto, que atenuaria a perda de renda provocada pelo clima adverso, ainda é incipiente no país e gera críticas do presidente da Abag. "O seguro rural é o nosso calcanhar de Aquiles, com muito discurso e pouca efetividade", cobrou.

Oriundo do setor sucroalcooleiro, Carvalho avaliou que a recente queda das barreiras tarifárias para a importação de etanol pelos Estados Unidos é um "convite para trazer investimentos, principalmente externos", para o Brasil, que enfrenta um momento de crise de oferta do combustível. Mas, o mais importante da medida, segundo ele, deve ser a união entre o Brasil e os Estados Unidos, responsáveis por 75% da produção mundial, para a transformação do etanol em commodity. "Brasil e Estados Unidos precisam trabalhar juntos para incentivar políticas globais de produção e de demanda do etanol", defendeu.

Renovação - Carvalho elogiou ainda a liberação de R$ 4 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o programa de renovação de canaviais, mas se mostrou preocupado com a burocracia para a obtenção dos recursos por parte de pequenos produtores. "? preciso ver a forma como será liberado o crédito. Se for só para os grandes grupos, não será bom", alertou.

Carvalho elogiou os avanços obtidos com a tramitação no Congresso do novo Código Florestal, cujo projeto ainda depende de uma nova votação na Câmara dos Deputados para ser enviado à sanção da presidente Dilma Rousseff. "Mas a simples aprovação trouxe ambiente de confiança no setor", disse. (AE)

Fonte: http://www.cisoja.com.br/index.php?p=noticia&idN=11923

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Desenvolvimento, conservação, combustíveis, alimentos e fibras

A afirmação de que desenvolvimento e conservação irão se equilibrar em um futuro próximo é a tônica desta opinião. E o argumento que justifica essa afirmativa se baseia na hipótese de que combustíveis, alimentos e fibras dependerão cada vez mais de fontes renováveis de energia.

Nesse contexto, desenvolvimento passa a ser resultado da ação de forças motrizes que tecem a trama socioeconômica das relações humanas com os recursos naturais. A questão principal, então, passa a ser: se essas forças condicionam os mecanismos de produção, o que condiciona essas forças? Minha resposta é: uma maior ou menor percepção de segurança.

Mas antes de avançarmos no tema segurança, é importante definir força motriz como o empurrão que define a intensidade com que exploramos os recursos naturais. Também importa deixar claro que essas forças motrizes podem ser dominadas. Como? Via consolidação de mecanismos de pagamentos por serviços ambientais e via governança pública, ou seja, via aumento da participação cidadã, simplificação do marco legal e regulatório, consolidação das instituições públicas e modernização da infraestrutura e dos mecanismos de fomento econômico.

Voltando ao tema da segurança. Entenda-se segurança como o oposto à sensação coletiva de medo. Medo de nos tornarmos reféns de processos ambientalmente insustentáveis e emissores de gases de efeito estufa, por exemplo.

No momento em que a insegurança se torna coletiva, procuramos remediar os efeitos das mudanças climáticas para obter maior segurança ambiental; precavemos-nos contra eventuais aumentos dos preços de combustíveis fósseis para garantir segurança econômica; adaptamo-nos às mudanças nas relações diplomáticas que regem as alianças entre consumidores e produtores de combustíveis e energia para manter a segurança nacional; e nos adequamos ao processo de urbanização e ao simultâneo aumento do uso da tecnologia no meio rural e no agronegócio com sutis mudanças na composição das bases que geram estabilidade política e, consequentemente, a segurança institucional.

Mas o maior de todos os medos é aquele que nos levará a melhorar a sensação de segurança alimentar em escala global. E é através dessa ação que mudaremos a forma como ocupamos e usamos a terra no Brasil. Ou seja, são as questões de segurança nacional, econômica, institucional, ambiental e alimentar que balizarão o nosso desenvolvimento.

Por isso, acredito que somente manteremos níveis aceitáveis de segurança em todas essas dimensões, se desenvolvimento e conservação caminharem juntos.

Como brasileiro ciente das já citadas questões internas de segurança, reflita cuidadosamente sobre os riscos que corremos quando, num futuro próximo, o mundo, constituído por 9 bilhões de habitantes, em sua grande maioria membros de famílias africanas, indianas e chinesas, recém-atraídos para o consumo globalizado, quiser garantir a mais básica das questões humanas: a segurança alimentar de todos.

Ao olharmos as estatísticas, vemos tantas vantagens e oportunidades no Brasil que, com entusiasmo, somos apontados como o país onde o superávit de alimentos, fibras e combustíveis resolverá a escassez preconizada por teorias malthusianas.

Afinal, a simples expansão da fronteira já seria suficiente, pois, segundo o IBGE e a Conab, o Brasil usa apenas 34% do seu território nacional para manter 64 milhões de hectares com atividades agrícolas e 220 milhões com pecuária; tem 445 milhões de hectares com florestas, das quais apenas 6 milhões são plantadas; e sobram, depois de deduzidas as áreas inacessíveis e destinadas a unidades de conservação, 71 milhões de hectares para novas atividades agrícolas.

Esse entusiasmo é procedente, se considerarmos a nossa matriz energética de cunho basicamente renovável, o amadurecimento de uma sólida indústria de biocombustíveis, a possibilidade da reincorporação de áreas antes degradadas, de aumentos significativos de produtividade e da disseminação de melhorias tecnológicas geradas pela rede Embrapa, unidades estaduais de pesquisa e universidades.

Entretanto, sob a ótica do princípio da precaução e para acomodarmos níveis razoáveis de segurança nacional, ambiental e institucional, precisamos assegurar que os processos ecológicos naturais básicos permaneçam funcionais nos diferentes biomas brasileiros.

De que adiantará a expansão da área agrícola nos biomas caatinga, cerrado, pampa e pantanal, se a redução em biodiversidade puser em risco a nossa segurança nacional, ambiental e institucional? De que valerão os aumentos de produtividade nos cultivos plantados nos biomas mata atlântica e cerrado, se o desmatamento na Amazônia e o contínuo lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera afetarem os regimes de chuva e tornarem mais comuns eventos catastróficos de seca e inundação?

Em termos práticos, deveria haver um esforço nacional de melhoria da infraestrutura em regiões que hoje apresentam baixo nível de desenvolvimento, mas que já estão dentro dos limites da atual fronteira agrícola. Acho também que produtores de fibras, alimentos e biocombustíveis que usassem fontes renováveis de energia deveriam receber incentivos especiais.

Complementarmente, e em períodos de tendência de crescimento da taxa de desmatamento e da degradação dos nossos biomas, municípios que apresentassem alta relação “desmatamento/PIB” deveriam ter seus repasses reduzidos em até 50%, transferidos para municípios com desmatamento zero.

Também proporia que propriedades inteiras na Amazônia, com suas áreas de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente intactas e bem conservadas pudessem ser averbadas para efeito de compensação em razões de até 2:1, para compensar passivos de reserva legal em propriedades produtivas de municípios com desmatamento zero.

Essas alternativas têm seus prós e contras. Mas o importante é refletir e discutir os impactos que a busca de segurança nacional, ambiental, econômica, institucional e alimentar, em níveis planetários, terá sobre a ocupação e uso do solo no Brasil. Garantiremos um longo período de desenvolvimento e conservação se percebermos as cinco dimensões de segurança com equilíbrio.

Geraremos, assim, mecanismos criativos de pagamentos por serviços ambientais, melhoraremos os mecanismos de governança e teremos mais controle sobre as forças que, de fato, regem a nossa relação com o meio ambiente.

Fonte: Revista Opiniões - Set-Nov 2011.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

10% dos grãos pelo ralo


Colheitadeiras mal reguladas, caminhões com frestas, estradas esburacadas, silos úmidos e portos mal equipados perpetuam o desperdício

O Brasil desperdiça 10% da safra de grãos e, na temporada 2011/12, vai perder cerca de 16,5 milhões de toneladas de produtos como soja, milho, trigo e feijão nas lavouras, estradas, pátios dos portos e cantos de armazéns. A estimativa considera as avaliações técnicas de cada setor – colheita, transporte, armazenagem e embarque para exportação. Os problemas vão das frestas nas carrocerias dos caminhões ao excesso de umidade nos armazéns.

É como se a agricultura jogasse fora R$ 4,98 bilhões por ano só com as perdas operacionais na soja. O volume de grãos desperdiçado é maior que o da safra de soja do Paraná, que cultiva 4,7 milhões de hectares para co­­lher 14,9 mi­­lhões de to­­neladas neste verão.

Os prejuízos co­­meçam na co­­lheita, quan­­do cerca de 1% é desperdiçado por mau uso das colheitadeiras ou problemas nas máquinas. Os fabricantes oferecem sensores de desregulagem, mas as máquinas melhor equipadas custam mais de R$ 1 milhão e boa parte da frota opera à moda antiga.

“A máquina mal regulada pode gerar até 5% de perda. O desafio da próxima década é melhorar a plataforma das colheitadeiras, onde ocorre o prejuízo”, diz João Rebequi, ge­­rente de marketing de produto da New Holland.

Quando o grão deixa o campo e ganha a estrada, o índice de perda dobra. No transporte, ficam 2% da safra. Caminhões com carrocerias mal vedadas e estradas esburacadas são responsáveis por essa taxa.

“Quem dirige atrás de um caminhão velho carregado de trigo recebe uma nuvem no para-brisa”, afirma o analista técnico-econômico da Organização das Coopera­­ti­­vas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti. Ele nota melhoria com a renovação da frota de caminhões e as reformas nas rodovias.


Calcanhar de Aquiles

A armazenagem é cam­­peã de perdas. Cerca de 5% da produção nacional são descartados durante o período em que os grãos ficam estocados. Os principais problemas são micotoxinas, apodrecimento, umidade, insetos e ratos.

A expectativa do setor é de que o índice de perda na armazenagem diminua drasticamente a partir de 2017, quando começa a valer nova normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abasteci­­mento (Mapa) que exige controle maior na qualidade do serviço. As cooperativas do Paraná têm investido cerca de R$ 300 milhões ao ano em armazéns mais equipados.

“Perto de 30% das unidades armazenadoras do país não vão conseguir a certificação. O produtor brasileiro está preparado para produzir e colher”, aponta o presidente da Associação Brasileira de Pós-Colheita, Irineu Lorini.

Nos portos brasileiros, os problemas são atribuídos à defasagem da infraestrutura. Apesar dos administradores das autarquias estimarem perdas inferiores a 1%, o setor produtivo sustenta que o índice chega a 2%.

“Os portos estão defasados para a im­­portância que o agronegócio ga­­nhou no país. Os setores de má­­quinas agrícolas, caminhões e armazenagem estão me­­lhorando. Mas, as condições portuárias são bem piores”, critica Mafioletti.

Fonte: Gazeta do Povo - Carlos Guimarães Filho.

Governo adota novas medidas para conter aumento de contágios

  Em razão do significativo aumento no número de pessoas contaminadas pela Covid-19 no Paraná, o Governo do Estado produziu um novo instrume...