quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Nova técnica pode facilitar políticas de preservação

Pesquisadores calculam a capacidade das florestas de resfriar o ambiente e salientam que esse serviço ecossistêmico deveria ser levado em conta para justificar ações de mitigação do aquecimento global e de uso da terra

Quando se pensa em manter a floresta intacta como uma forma de combater as mudanças climáticas o que costuma ser considerado é a quantidade de carbono que seria liberado para a atmosfera se as árvores fossem derrubadas. Agora, pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, em parceria com instituições brasileiras, propõem que a capacidade das florestas de resfriar o ambiente também seja utilizada como um argumento a favor de ações de preservação.

“Todos sabem que o desmatamento causa a liberação de dióxido de carbono e que isso contribui para o aquecimento global. Mas os serviços ecossistêmicos das florestas que atuam sobre o clima também deveriam ser levados em conta”, afirmou Kristina Anderson-Teixeira, uma das autoras do artigo.

As florestas contribuem para o resfriamento de uma região ao liberarem vapor de água no ambiente, um tipo de “suor planetário”.

“É preciso uma grande energia para converter água em vapor e esse processo resfria o solo e a superfície das folhas da mesma maneira como o suor resfria a nossa pele”, explicou Evan DeLucia, coautor da pesquisa.

A importância da presença das florestas para o clima já é conhecida há muito tempo, a dificuldade está em quantificar essa ajuda de forma que possa ser um argumento a mais para a preservação ambiental.

Para tentar resolver esse problema, Kristina Anderson-Teixeira e Evan DeLucia, ambos da Universidade de Illinois, se uniram aos professores Peter Snyder e Tracy Twine, da Universidade de Minnesota, e aos professores Santiago Cuadra, do Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro, e Marcos Costa, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.

A equipe compilou dados para calcular o “valor dos gases do efeito estufa” (a capacidade de absorção desses gases) de 18 “ecoregiões” das Américas e também criou uma modelagem de suas características biofísicas. Foram analisados dados de diversos tipos de florestas, gramíneas, tundra, savana e de culturas agrícolas; como a soja e a cana de açúcar.

“O desafio é combinar os valores dos gases do efeito estufa com os efeitos biofísicos uma vez que eles operam em escalas muito diferentes”, afirmou Kristina.

Os pesquisadores decidiram que a melhor maneira de combinar os dois fatores, e assim conseguir um panorama mais abrangente do efeito da vegetação no clima, era dividir os efeitos biofísicos pela área global de superfície de terras. Em seguida eles converteram esses valores em unidades de dióxido de carbono equivalente (CO2e), um padrão comum nas negociações climáticas internacionais.

Assim, foi possível quantificar o papel de cada tipo de vegetação para o resfriamento de uma região. Comparando os dados dos locais estudados, os cientistas concluíram que a Amazônia possui o maior valor de regulação climática nas Américas.

Uma surpresa foi que as culturas agrícolas também tem um papel importante para limitar o aquecimento. “Pensa-se que as plantações como o milho apenas contribuem para as mudanças climáticas, mas se levarmos em conta sua capacidade de refletir o calor e sua alta taxa de transpiração de vapor de água, o efeito final é o resfriamento local”, disse DeLucia.

Os pesquisadores reconhecem que seu método não é o único a tentar quantificar os serviços climáticos dos ecossistemas, mas salientam que é um dos mais abrangentes e que é mais um argumento a favor da preservação e do bom uso do solo.

“O valor de regulação climática que propomos nesse artigo busca capturar como os ecossistemas afetam o clima, mas é importante salientar que é apenas um dos muitos serviços que os ecossistemas providenciam. O valor final da natureza para a sociedade deve incluir todos esses serviços, como biodiversidade, purificação da água e produção de fibras e alimentos”.

“Esperamos que nossa proposta facilite a construção de políticas de uso da terra que protejam o clima”, resumiu Kristina.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ano de 2012 pode ser um dos dez mais quentes da história


Temperaturas devem ser maiores que as registradas em 2011 e preocupam os mercados de grãos, açúcar e café

O Departamento de Meteorologia da Grã-Bretanha, Met office, e a Universidade de East Anglia apresentaram um relatório, nesta semana, que aponta que o ano de 2012 deve constar na lista dos 10 anos mais quentes desde a década de 1850. As temperaturas globais, segundo o estudo, estarão quase 0,5ºC mais elevadas que as médias registradas entre os anos de 1961 e 1990.

O relatório diz que 2011 foi o 11º ano mais quente já registrado no período citado, com médias 0,36% acima do normal e este ano, de acordo com previsões de longo prazo feitas pelos meteorologistas, as médias podem ficar 0,48% mais elevadas. Addam Scaife, chefe do Met Office, diz que 2012 será mais quente que o ano passado, mas não tão quente como 2010, quando ficou constatado que as temperaturas altas atingiram os maiores índices.

Scaife atribui o aumento de temperatura ao fenômeno La Niña. "O fenômeno (La Niña) voltou e, embora não seja tão forte como ocorreu no início de 2011, deve influenciar as temperaturas. Esperamos que 2012 seja ligeiramente mais quente do que o ano anterior, mas menos quente que 2010", disse o cientista.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também divulgou nesta semana que os anos mais quentes da história do planeta foram registrados entre 1997 e 2011. O estudo teve como base as previsões do Met Office, do Centro Nacional de Dados Climáticos dos Estados Unidos, e do Institudo Goddard de Estudos Espaciais da Nasa.

A nota divulgada pelo CPC, que é um órgão ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, diz que "as últimas observações sugerem que o La Niña será de fraco a moderado neste inverno (nos Estados Unidos) e vai continuar depois disso, como um evento fraco, até que possa se dissipar entre os meses de abril e maio". Esta foi a primeira vez que o instituto admitiu a permanência do La Niña até a primavera americana, que corresponde ao outono brasileiro.

Agricultura


O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) anunciou que o fenômeno La Niña já está sendo responsável por uma forte seca na América do Sul e no sudoeste americano e pode durar até maio, o que supera as estimativas iniciais. Nos Estados Unidos, a estiagem já causa preocupações para os mercados de grãos, açúcar e café.

Os produtores rurais texanos são os mais preocupados com a seca, que pode significar outra safra ruim para o algodão. Os solos de Oklahoma e Texas já estão esgotados devido às secas dos últimos anos, mas os agricultores que estão localizados nas faixas entre as Carolinas e o Kansas, que plantam soja e milho, também já estão preocupados.

No Brasil, o La Niña (como ocorreu em 2010 e 2011) está provocando chuvas intensas nas regiões Sudeste e Norte, e estiagem na região Sul, o que pode comprometer a safra de verão de grãos - soja e milho - e os canaviais do Norte do Paraná e Mato Grosso do Sul. A produção de etanol vem sendo afetada pelo clima desde 2009.

Na Malásia, país que é um importante exportador de óleo de palma, o La Niña está provocando fortes chuvas que ameaçam a safra, e consequentemente elevarão os preços dos produtos. Já na Colômbia, o problema é o aumento da temperatura, que ameaça, desde meados de 2010, os tradicinais cafezais colombianos. No país, muitos produtores extinguiram os pés de cafés para plantar banana, já que o calor, além de reduzir a produtividade, inseriu doenças nas plantações.

O CPC afirma que o La Niña pode durar vários anos e se deve ao aquecimento anormal das águas nas regiões equatoriais do Oceano Pacífico. Seus principais efeitos atingem, sobretudo, a faixa entre a América Latina à Índia e parte da África.

Fonte: Globo Rural

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Cadastro Ambiental Rural pode ser feito pela Internet


CADASTRO GARANTE NOVOS PRAZOS E MEIOS PARA RESOLVER PENDÊNCIAS COM A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

Proprietários de aproximadamente 5 milhões de imóveis rurais de todo o País podem fazer o Cadastro Ambiental Rural e aderir ao Programa Mais Ambiente pela internet, preenchendo um formulário eletrônico no site http://www.maisambiente.gov.br. O sistema ainda está em fase de teste e disponível em caráter experimental, mas oferece informações e orientações importantes.

Com o CAR (Cadastro Ambiental Rural), o produtor ingressa no Programa Mais Ambiente, que vai apoiar a regularização ambiental, com vários benefícios, como novos prazos e meios para resolver pendências, para quem estiver em situação irregular com a legislação ambiental.

Ao aderir ao Programa, o produtor estará livre, por exemplo, de restrições de acesso ao crédito rural e à comercialização de sua produção. Outro benefício é a possibilidade de suspensão da cobrança de multas aplicadas pelo Ibama, com base no Decreto 7.029/2009, que poderão ser convertidas em recuperação do dano ambiental.

Para os agricultores familiares, assentados da Reforma Agrária, Quilombolas e Comunidades Tradicionais, o cadastro não terá custos. O pequeno produtor terá, ainda, assistência técnica, educação ambiental, capacitação e apoio para implantar viveiros, criando as condições para recuperar áreas degradadas. Para receber esses benefícios é necessário indicar, no cadastramento, quais os subprogramas de interesse.

Com base nas informações prestadas no Cadastro Ambiental Rural, os órgãos ambientais vão orientar os agricultores sobre as medidas necessárias para recuperar Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal (RL), quando for o caso.

O prazo de adesão ao Programa termina em 11 de dezembro de 2012. O produtor rural que não averbou sua reserva legal ainda e não aderir ao Mais Ambiente está sujeito a ser notificado pelo Ibama. Nesse caso, terá 180 dias para procurar o órgão ambiental e abrir o seu processo de regularização.

Os produtores que não tiverem acesso à rede de computadores terão, em breve, apoio do Governo Federal. Será criada, em parceria com estados, municípios, sindicatos rurais, cooperativas, associações de produtores e representações dos movimentos sociais uma rede para ajudá-los a se cadastrarem. O Ministério do Meio Ambiente vai capacitar facilitadores para ajudarem os produtores na hora de se cadastrar.

Em sua primeira fase o cadastro é declaratório. Depois da análise e aprovação dos dados fornecidos pelos produtores, será assinado um termo de compromisso. Nele, o produtor se compromete a manter, conservar e recuperar suas áreas de preservação permanente e de reserva legal.

A expectativa é de que o Mais Ambiente promova a recomposição de 23 milhões de hectares de matas ciliares, topos e encostas de morros, além de reservas legais.

Quem aderir ao Programa Mais Ambiente agora não terá prejuízo com possíveis alterações no Código Florestal, em votação no Congresso Nacional. Alterações aprovadas serão processadas pelo órgão ambiental, que efetuará os ajustes. Passam a valer as regras que vierem a ser estabelecidas.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Inmetro busca regulamentação para medição da madeira roliça em toretes


Grupo de Trabalho tem nova reunião prevista para fevereiro


Desde abril do ano passado o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) discute a regulamentação dos procedimentos de medição de madeira em toretes, buscando alternativa de consenso, já que, embora proibida a utilização da medida em “metro cúbico estéreo” ainda não há, na prática uma solução definitiva para a questão.

De acordo com Marcelo Castilho de Freitas, Chefe da Divisão de Articulação e Regulamentação Técnica Metrológica (Diart), da Diretoria de Metrologia Legal (Dimel), o processo de regulamentação está ainda em fase de discussão. “Estão sendo discutidas as diferentes tecnologias envolvidas com a medição de madeira roliça, com o intuito de definir requisitos e procedimentos de medição. A próxima reunião para discussão da proposta de regulamentação está prevista para Fevereiro de 2012”, explica.

A necessidade de estabelecer um processo de regulamentação técnica metrológica para os procedimentos e instrumentos de medição de madeira roliça demanda do fato de que a falta dessa regulamentação gera, entre outros problemas, uma certa “desconfiança” nas medições de madeira roliça e, por conseguinte, uma desconfiança na transação comercial.

“O papel do Inmetro é prover a credibilidade dos resultados das medições em metrologia legal e, com a regulamentação dos procedimentos e instrumentos de medição envolvidos com a comercialização da madeira roliça, será possível realizar o controle metrológico legal, que é um conjunto de atividades de metrologia legal que visa a credibilidade dos resultados de medição, contribuindo para que as relações comerciais sejam mais justas para as partes envolvidas”, justifica Marcelo.

Para buscar uma solução, a Diretoria de Metrologia Legal do Inmetro, formou um Grupo de Trabalho que está discutindo a proposta de regulamentação. Integram o Grupo diversos representantes de empresas ligadas ao setor produtivo de base florestal, bem como os fabricantes dos instrumentos utilizados para a medição de madeira roliça. “Além disso, o Inmetro participa das reuniões da Câmara Setorial de Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento fornecendo informações sobre o andamento dos trabalhos do grupo que está discutindo a proposta de regulamentação”, acrescenta Marcelo.

Setor

José Sebastião Prado é representante dos empresários dos serviços terceirizados do setor frente a questões tributárias e integra o Grupo de Trabalho formado pelo Inmetro. De acordo com ele, desde que foi editada a última portaria sobre a questão, em 1999 (Portaria INMETRO n.º 130/1999), a proposta é que seja substituído o termo “estéreo” por “empilhado”.

“Os volumes de madeira em toretes passarão a ser identificados como metro cúbico empilhado, em substituição ao termo estéreo. Devo destacar ainda que a proibição do uso do termo estéreo manteve o procedimento de medição do metro cúbico, ou seja, os resultados das medições em estéreo, e em metro cúbico empilhado são iguais”, afirma.

Ainda de acordo com José Sebastião, caso o setor, como um todo, admitisse este procedimento de medição, não haveria necessidade de nova Portaria. “Ocorre que os empresários da industrialização, e os fabricantes dos instrumentos de medição não reconhecem o metro cúbico empilhado como substituto do termo estéreo, porque nos procedimentos de medição de madeira em toretes, os instrumentos de medição utilizam, “informalmente”, os fatores de empilhamento/cubicação para converter os volumes do metro cúbico empilhado para metro cúbico sólido”, esclarece.

Fonte: Painel Florestal

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Importância da averbação da reserva legal


Prorrogado prazo para averbação da Reserva Legal proprietário rural tem pouco mais de 90 dias para regularizar sua situação perante ao órgão ambiental


Prorrogado até 11 de abril de 2012 o prazo para que os proprietários rurais façam a averbação da reserva legal da propriedade em cartório, sem que sejam notificados ou multados pelos órgãos ambientais, fato este que não muda muito a situação em que se encontram a maioria dos proprietários rurais do Brasil, visto que os mesmos estão apreensivos devido ao fato da mudança do novo código florestal estar incompleta e em tramite de votação na câmara federal.

A Reserva Legal pode ser averbada no próprio imóvel quando existir vegetação nativa suficiente ou compensada em outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, dentre outros requisitos.

A compensação deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente (no caso do Estado do Paraná o IAP), e também pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44-B, do Código Florestal”

Assim será possível ao proprietário rural cumprir a legislação ambiental adquirindo a reserva legal em outro imóvel, respeitando a sustentabilidade ambiental sem comprometer a produtividade da atividade na área atual.

A importância da Reserva Legal e do cumprimento da lei vai muito além do que pode ser visto. O manutenção do ecossistema como um todo flora e fauna estarão garantidos assim como um banco genético importantíssimo e a proteção de rios e nascentes.

A exigência da Reserva Legal em si não se restringe somente ao risco da penalidade imposta pela legislação ambiental, algumas instituições financeiras em breve exigirão a averbação da reserva legal nas matrículas dos imóveis como requisito para conceder financiamentos, afetando assim diretamente o avanço da agricultura nacional.

E inquestionável a importância da Reserva Legal dentro das propriedades rurais, porém é complicado por parte do poder público exigir do agricultor cumprir uma legislação que ninguém sabe como irá ficar. O cumprimento da lei passa pela sua concretização e aprovação, enquanto se tem uma legislação "mentirosa" se torna impossível cobrar de quem alimenta o país.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ministério apóia Agricultura de Precisão no país


Conjunto de técnicas traz melhorias na gestão e produção das propriedades, inclusive para a silvicultura


O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento pretende criar projetos pilotos de Agricultura de Precisão em todo o país, em 2012. Com a medida, o Mapa quer estimular a utilização das técnicas e criar projetos adequados às necessidades de cada região. Para isso, serão realizados workshops, projetos de transferência de tecnologia, elaborados boletins e material de divulgação, discussões sobre padronização eletrônica entre máquinas e equipamentos, entre outras ações. Todas elas focadas, principalmente, em pequenos e médios produtores.

A Agricultura de Precisão é uma das ferramentas escolhidas pela Coordenação de Acompanhamento e Promoção da Tecnologia Agropecuária (CAPTA) para promover o desenvolvimento sustentável e a competitividade do agronegócio em beneficio da sociedade brasileira. A aplicação desta tecnologia vai além das atividades agrícolas, pois tem um grande potencial para a área de zootecnia, na gestão hídrica e na silvicultura.

Das técnicas baseadas em uma Agricultura de Precisão, a mais citada é a aplicação de insumos de forma localizada – taxa variável. Ela trata de maneira diferente cada metro quadrado da propriedade, permitindo a aplicação dos insumos agrícolas no local correto e nas quantidades adequadas. A diferenciação é possível com a tecnologia do Sistema de Posicionamento Global - GPS que registra a necessidade específica do solo e controla a colocação do adubo por computador a bordo da máquina. Esta técnica faz com que não haja excesso e nem falta do fertilizante, fato corriqueiro quando utilizada a dosagem média para toda lavoura.

Na pecuária, um dos modelos desenvolvidos para gado leiteiro é o programa “Balde Cheio”. A técnica consiste em utilizar racionalmente os recursos naturais do ambiente e aproveitar o potencial genético de cada animal. O pasto é dividido em piquetes onde é determinado a sequência e o período que o animal irá permanecer em cada piquete. A alimentação é calculada para cada animal.

Grupo de discussão

Os representantes da Câmara Temática de Insumos Agropecuários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento aprovaram a criação do Grupo de Trabalho sobre Agricultura de Precisão. O objetivo é promover a disseminação e padronização das técnicas, criar um diagnóstico das potencialidades e desafios, perceber a capacidade produtiva da indústria de maquinas e implementos e discutir as inovações tecnológicas para diminuição dos impactos ambientais. A intenção é reunir, além dos produtores que já utilizam as técnicas, representantes de vários setores do pequeno, médio ou grande agronegócio brasileiro.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Um ano novo menos positivo para o campo


Após atingir resultados recordes em alguns de seus principais indicadores em 2011, o agronegócio brasileiro prepara-se para um ano menos positivo.


Após atingir resultados recordes em alguns de seus principais indicadores em 2011, o agronegócio brasileiro prepara-se para um ano "menos positivo". As rachaduras na economia do mundo desenvolvido e seus reflexos em países emergentes, na demanda global por alimentos e nos preços das commodities tendem a provocar a desaceleração do ritmo de crescimento do setor no país. Mas, de acordo com analistas, produtores, agroindústrias e governo, nada capaz, no cenário atual, de impedir novos avanços em 2012, ainda que em menor velocidade.

E os números que poderão ser superados são expressivos. A colheita de grãos da safra 2010/11, por exemplo, somou 163 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), quase 10% mais que em 2011/12. Isso apesar de a área plantada ter aumentado "apenas" 5%, para 50 milhões de hectares. O valor bruto da produção (VBP) agropecuária, conforme estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ultrapassou R$ 318 bilhões no ano passado, 8% acima de 2010.

As exportações do agronegócio, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura, chegaram a US$ 87,6 bilhões de janeiro a novembro, 24,4% mais que em igual intervalo de 2010 - e cerca de US$ 5 bilhões embarcados em dezembro ainda vão entrar na conta. Nesse contexto, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor, incluindo todos os elos das cadeias produtivas, é calculado pela CNA em R$ 823 bilhões em 2011, um incremento de mais de 6% na comparação com o ano anterior.

Recordes no ano passado, a safra de grãos, o VBP, as exportações e o PIB do setor podem até não crescer em 2012, mas continuarão polpudos. Apesar de a área plantada com grãos ter aumentado em quase 530 mil hectares nesta safra 2011/12, a Conab estima, por enquanto, que a colheita será cerca de 3 milhões de toneladas menor, em virtude de adversidades provocadas pelo fenômeno climático La Niña em lavouras de algumas áreas de produção, notadamente na região Sul.

Atualmente, as maiores ameaças pairam sobre o milho gaúcho, mas ainda é cedo para afirmar que a previsão da Conab será confirmada ou se quem aposta em aumento da produção está certo. Apesar de a queda dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional ter se acentuado em dezembro, a ponto de produtos como algodão, soja e milho terem encerrado o mês passado nos mais baixos patamares de 2011, boa parte da colheita de grãos - que já está começando em Mato Grosso - foi negociada antecipadamente, a cotações melhores.

Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), vinculado à federação da agricultura e pecuária do Estado (Famato), até setembro, quando as cotações começavam a perder sustentação na bolsa de Chicago, 48% da produção de soja de Mato Grosso, o maior produtor do país, já havia sido comercializada. As antecipações perderam força com a queda dos preços, mas em novembro mais da metade da safra estava negociada e "hedgeada".

As vendas antecipadas de algodão também foram expressivas no país - quase 40% da futura colheita nacional está vendida, conforme a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) -, mas já com valores menores que os de 2010. Depois de atingirem máximas em 140 anos em Nova York entre o fim de 2010 e o início de 2011, os preços do algodão entraram em queda livre. Daí porque nesta cadeia produtiva talvez estejam concentradas as maiores preocupações em relação às próximas temporadas.

De modo geral, o temor maior envolve as exportações. Beneficiado pelo crescimento dos emergentes, principalmente a China, o campo brasileiro passou como um trator sobre as ervas daninhas oriundas da crise deflagrada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro de 2008, e teve duas temporadas extremamente rentáveis na sequência, ajudado pela pujança de seus embarques.

Com o aprofundamento da crise europeia nos últimos meses e a cambaleante situação americana, contudo, reflexos negativos já são sentidos em emergentes e um crescimento menor da demanda do grupo é dado como certo. Se de fato isso acontecer, os efeitos negativos sobre volumes e preços de venda serão inevitáveis, restando aos exportadores ampliar a comercialização no mercado doméstico. Nesse quadro, as rentabilidades seriam menores, mas há confiança de que o consumo interno seguirá forte.

Em 2011, o mercado doméstico foi fundamental para os resultados de alguns segmentos. Nas carnes, que enfrentaram barreiras na União Europeia e na Rússia, o consumo interno colaborou para manter a pecuária aquecida e ofereceu alternativas aos grandes frigoríficos. Estes, contudo, como ocorreu com agroindústrias de outros ramos, tiveram que conviver com margens apertadas em função da valorização das matérias-primas e esperam que 2012 seja mais remunerador.

Mas os riscos serão maiores. E eles não estão apenas no comércio exterior, cujas sombras há tempos despontam no horizonte. Como já ressalvaram diversos analistas, uma desaceleração maior que a prevista pode quebrar as pernas de produtores e empresas que vêm registrando crescimentos acelerados nos últimos anos, especialmente os que o fizeram por meio de aquisições, de terras ou concorrentes.

Em 2011, mesmo com os recordes observados, o megaprodutor mato-grossense Otaviano Pivetta, por exemplo, teve de unir forças com a Brasil Ecodiesel para dar prosseguimento a sua expansão, já que suas dívidas eram crescentes. A Marfrig, uma das maiores empresas de proteínas animais do país, também viu suas ações na BM&FBovespa caírem em meio ao incremento de custos e à necessidade de capital de giro, ao mesmo tempo em que seu nível de endividamento passou a ser mais questionado por analistas.

É de se esperar problemas em 2012. Produtores de algodão que obtiveram lucro líquido de até R$ 4,5 mil por hectare na safra 2010/11 terão margens menores, assim com as da soja poderão ficar em 2011/12 abaixo de R$ 800 a R$ 1 mil em 2011/12, patamar "normal" no ciclo passado. Mas, capitalizados, têm à disposição ferramentas para proteger financeiramente seus negócios e continuar a avançar. Esperar o pior e tentar buscar crédito com urgência na praça, nesse contexto, não será uma boa saída, tendo em vista a tendência de enxugamento da liquidez no mercado.

"O cenário pode piorar um pouco, mas os produtores estão escaldados. [Ainda assim], os investimentos nas lavouras podem diminuir", diz a economista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria Integrada.

A concorrência por terras agricultáveis tende a ficar mais acirrada a partir das regras de proteção ao ambiente previstas no novo Código Florestal, em fase final de discussões, e da normatização das compras de terras por estrangeiros no país, que não avançou em 2011 e paralisou transações e investimentos. Além disso, empresas de produção agrícola como a SLC e a própria Brasil Ecodiesel - rebatizada como Vanguarda Agro e palco de uma disputa entre seus principais acionistas (Pivetta e Veremonte, do financista espanhol Enrique Bañuelos) - seguem de olho em oportunidades para crescer.

No momento, a maior parte das projeções indica manutenção ou crescimento de até 2% do PIB do agronegócio em 2012. Especificamente na agropecuária, o Banco Central trabalha com uma expectativa de avanço de 2,5% do PIB. Mesmo o segmento sucroalooleiro, que teve muitos problemas no ano passado por conta de uma forte quebra na safra de cana, prevê dias melhores, ainda que insuficientes para turbinar um novo ciclo de expansão.

É preciso aguardar os rumos da crise nos países desenvolvidos e o próximo Plantio no Hemisfério Norte, em meados deste ano, para prever o que poderá acontecer na próxima temporada de grãos (2012/13). Também as ferramentas do governo para apoiar a produção, como crédito rural com juros baixos, subsídios ao escoamento das colheitas e linhas de crédito do BNDES dependerão de um orçamento federal mais apertado. Mas depois dos resultados de 2011, quando até o pagamento de dívidas agrícolas foi antecipado, o setor julga-se preparado para um ano "menos positivo".

Governo adota novas medidas para conter aumento de contágios

  Em razão do significativo aumento no número de pessoas contaminadas pela Covid-19 no Paraná, o Governo do Estado produziu um novo instrume...